The Leftovers , HBO.
- 31 de jan. de 2024
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The Leftovers dirigida por Damon Lindelof e Tom Perrotta é uma série que depõe sobre as angústias, neuroses e buscas incansáveis de remendos espirituais, científico e pseudocientíficos para um cataclismo que mescla elementos de contornos bíblicos e de ficção científica. em uma epopéia que explora o sofrimento psíquico de personagens à deriva diante do desaparecimento de 2% da população mundial a série escancara desde o apelo niilista de uma seita de que o fluxo de vida social não deve continuar depois dos desaparecimentos misteriosos aos riscos e torções de pensamentos e subjetividades do coletivo atraído pela busca de respostas e redenção.
destaco a beleza de como a iminência de outro desaparecimento (o sétimo aniversário do primeiro 14 de outubro) mobiliza na narrativa para além da paranoia, ali desde o início, o onírico e o mítico como recursos para deflagrar o inconfessável das mortes, dos medos e do absurdo que é o desejo de prosseguir.
impossível não aproximar Leftovers do romance A invenção de morel, do argentino Bioy Casares, em suas suas incessantes súplicas seja através do diário do personagem expatriado em uma ilha, a princípio deserta, que tenta se situar e alcançar a dinâmica de funcionamento de uma máquina desatadora de pessoas espectrais em seus movimentos repetitivos seja pela obsessão de Laurie, Matt, Kevin, Nora em restituírem sentidos ao absurdo dos dias ainda que recorram ao ilógico universo do delírio, da religião e de máquinas teletransportadoras.
não posso deixar de destacar o trabalho de luto das personagens mães Laurie, Nora, Erika, um misto de condensações da memória, apego à nostalgia, busca inegociável pela expiação que desviam o que seria, a priori, o centro de tudo, o porquê do desaparecimento, para uma espécie de materialidade que não se apaga: a dor de restar, de estar presente.
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