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Ludimila Menezes

Bem-vindo ao AveeLudi!

Sobre Ludimila Moreira 

 

Formada em História, doutora em Literatura pelo Programa de Pós-graduação do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília, UnB. Foi bolsista CAPES no Programa de Doutorado Sanduíche em Literatura pela Universidade de Brasília- Université Paris-Sorbonne IV. Professora Substituta do Departamento de Teoria Literária e Literaturas, UnB, durante o período de abril de 2015 à abril de 2016. Tem experiência na área de Teoria Literária com ênfase nas relações do texto literário com a filosofia e na área de Literatura Brasileira, sobretudo com as vertentes do Expressionismo na Literatura e com os estudos interartes.


 

Percurso acadêmico:

 

Um percurso em passo pelo mundo que se demora no além do signo referente, um périplo em desvio, sem pacto de volta, proa abrindo perspectivas, estudos, dissertações, teses, artigos, aulas. Como se um memorial, desvelo do si em comunidade, portasse a ventura do testemunho, as notas altissonantes e nostálgicas de uma lírica mélica como a de Safo, o rastro da experiência e da construção, desde a linguagem, de uma estetização que assim como a crítica literária (aqui evocada na tópica da viagem náutica) se perfaz e se remete em um processo múltiplo de significâncias. Da cartografia que em um sulco imaginativo se alça a materialidade das imagens capturadas de uma luneta marinha: angulações sortidas de uma vida acadêmica, imagens vertidas e reverberadas que vislumbram como em um poema mallarmaico um novo abrigo desde a radicalização do espaço, da concretude da palavra: o desejo e busca pela sala de aula, pela pesquisa, pela partilha 


 

Desse passar avante onde a travessia, a cada paisagem, só certifica o rumo pelo estudo e ensino da Literatura vale um conduzir-se aos primórdios ainda no curso de História quando decidi escrever e pesquisar acerca do Modernismo e do Movimento Antropofágico brasileiro, mais especificamente a atuação política e a produção plástica de Patrícia Galvão no jornal O Homem do Povo, de 1931. Aqui sublinho meu contato e envolvimento com os estudos foucaultianos dedicados à Literatura e ao trabalho de Dominique Maingueneau sobre as condições de enunciação de uma obra. Sobre esse período como estudante do curso de História destaco minha jornada de estágio de dois anos como bolsista e monitora cultural no Museu do Senado Federal, onde executava pesquisas e auxiliava na composição dos catálogos de obras de arte, revistas e exposições realizadas pelo Museu. Esse vínculo com o trabalho da crítica artística me incentivou na abertura de um blog focalizado em resenhas e comentários de romances, de performances, de artes plásticas e de filmes chamado Brochuras de uma menina nada comportada.

Ingressei no mestrado do Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB com o projeto e depois dissertação que explorou a construção e as representações das mulheres operárias no romance Parque industrial (1933), assim como a inscrição do romance e da obra de Patrícia Galvão na nossa historiografia literária, apresentando uma discussão da tópica da escrita de si na narrativa autobiográfica Paixão Pagu, de Patrícia Galvão. Durante meu percurso no mestrado, ingressei no Grupo de estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC) e sob a orientação da Profª Regina Dalcastagnè defendi minha dissertação “Entreatos de uma vida não fascista: as múltiplas faces de Patrícia Galvão” em julho de 2011.

Considero a participação no Grupo de Leitura do GELBC uma das atividades fundamentais dessa travessia, pois foi através das discussões sobre literatura brasileira, campo literário, historiografia e cânone que me senti impelida a pesquisar cada vez mais sobre temas de teoria literária para refletir sobre a categoria linguagem, sobre o funcionamento do texto literário, o conceito de hermenêutica, interpretação e superinterpretação, a categoria de mímesis, de diferença e de seus efeitos de sentido.

Outro fato marcante que pontuo desses dois anos de mestrado foram as organizações que assumi das duas Jornadas de Estudos sobre Romances Gráficos apoiadas pelo Programa de Pós Graduação em Literatura, pelo GELBC e coordenadas pela Profª Regina Dalcastagnè. 

 

Meu ingresso no doutorado está ligado às inquietações forjadas já no transcorrer do mestrado: a problemática da representação, a noção do texto como escritura, as leituras e as implicâncias na minha formação da obra de Roman Jakobson, Haroldo de Campos e de Roland Barthes sobre a perspectiva sincrônica, a noção de signo linguístico que vai além da dicotomia instaurada pela linguística saussuriana, as dinâmicas e contribuições da semiótica, a categoria de escritura e a noção de significação, a Literatura (o texto literário) e sua relação inesgotável com as artes plásticas, com a filosofia. Sob o signo das pesquisas credenciadas pelo CNPQ e coordenadas pelo professor Piero Eyben “Demoras na Aporia” e ‘Aportes aporéticos: desconstrução, ética e estética” se desdobraram seminários, grupos de leituras, rodas de leituras. Destaco dessa jornada minha participação como coordenadora junto com a colega Raquel Bernardes Campos do grupo de leitura sobre Galáxias, de Haroldo de Campos.

A partir do estudo das obras do pensamento francês contemporâneo acerca da filosofia da diferença e das experiências-limites da linguagem literária e do contato articulado no IV Simpósio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea em junho 2012, organizado pelo GELBC na UnB, onde apresentei a comunicação intitulada “Capturas e tensões: representação da doença na literatura brasileira e francesa contemporâneas” fui aceita como orientada de um doutorado-sanduíche pelo professor Leonardo Tonus, da Université Paris-Sorbonne IV. Fui bolsista CAPES durante esse Programa de Doutorado Sanduíche em Literatura.

Como membra do grupo de pesquisa Escritura: Linguagem e Pensamento ressalto minhas atividades na organização e participação como comunicadora nos seguintes seminários: o IV Seminário Internacional Pensamento Intruso: literatura, filosofia e infinito (no limiar de Nancy & Derrida Jean-Luc Nancy e Jacques Derrida), e no V Colóquio Internacional: Cada vez, o impossível (10 anos sem Jacques Derrida). Vale comunicar também minha  participação no curso de extensão organizado pelo Programa de Pós-graduação em Literatura da Universidade de Brasília (POSLIT-UnB) em parceria com a Capes ministrado pela professora Daniele Levinas “A filosofia sob o risco da Literatura” em setembro de 2013.

Como resultado dessa jornada acadêmica a tese intitulada Dos Riscos e Miasmas: os apelos de um texto-pensamento em Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso foi defendida em março de 2016. Ao narrar infortúnios de uma família acossada pela decadência, Lúcio Cardoso em seu romance alcança o que em meu estudo qualifiquei como texto-pensamento, grandeza artística em que a linguagem literária alcança capacidade de revelação equivalente ou superior ao que é considerado como exclusivo da seara da filosofia. Perfazendo-se sob o signo de Lázaro, em tempos de miasmas, Crônica da casa assassinada, em sua estrutura e plasticidade, composto em linguagem incansável de longos apelos, traz em suas potências anti-humanistas e malditas uma força outra que a da literatura brasileira consagrada em compêndios escolares e cânones que almejam a redenção do humano e do nacional.

A prática da crítica em conversa infinita, textualidades, narrativas que ganham ressonância em capítulos de livros, em aulas, em seminários, em congressos, em cursos. O ganho de mundos na experiência comungada com o outro conferencista, com o colega universitário, seja em uma ligeira interação no corredor da Casa das Rosas com a crítica, intérprete barthesiana Leyla Perrone-Moysés que ao meu dito-seu de que a teoria literária fica mais interessante quando pensamos o texto como o lugar da sedução desde a leitura de Flores da Escrivaninha, (momento de comunhão das minhas noviças impressões como professora substituta de introdução à teoria literária) esboça um sorriso e fala do desejo de ensinar sendo tão próximo do desejo do crítico.

Lugares que se tornam cartões-postais em um remetimento contínuo de saudades e conhecimentos: do Colóquio Internacional Roland Barthes Plural em junho de 2015 à Belém que sediou a Abralic intitulada Fluxos e correntes: trânsitos e traduções literárias. Ainda nessa evocação dos espaços impossíveis que a Literatura viabiliza, permanece a paisagem de vales e montes de Palermo, Montevago, na Sicília seja pela concreção das rochas, seja pelas partilhas ainda em acontecimento desde o curso ministrado por um dos teóricos e interlocutores dessa jornada de pensamento e crítica ao texto literário, o filósofo Jean-Luc Nancy em um curso sobre a Literatura e o sexo. Proust, Bataille, Derrida, Sade, Barthes e nós estudantes, professores em uma comunidade inconfessável pela literatura.

 

Ainda como doutoranda do Programa de Pós Graduação em Teoria Literária e Literaturas, da própria UnB, fui aprovada em dois concursos para professor substituto do Departamento, um para a cadeira de Crítica Literária, mais especificamente para a disciplina Literatura Estrangeira em Língua Vernácula e o outro referente à cadeira de Teoria Literária. Optei pelo segundo pois já havia lecionado como parte do Estágio

Docente em disciplinas dessa área, durante o período de março de 2015 à maio de 2016 fui responsável por ministrar aulas das seguintes disciplinas de Fundamentos de História Literária, Introdução à Teoria Literária, Teoria e Prática da Análise do Texto (tema: Literatura anti-humanista: de Eurípedes à Adonias Filho) e Teoria da Linguagem Poética (tema: Um estudo da poesia brasileira). Entre o desafio, a novidade e a conquista de segurança, um crescente de trocas, com os alunos, o discernimento de que o espaço da sala de aula é o lugar por mim eleito para uma construção comunitária do conhecimento, para as reflexões que se tornarão projetos de pesquisa, seminários. Sobre o porvir, tão aguardado, como professora universitária, vislumbro seguir na rota do trabalho iniciado no doutorado, quando ao pesquisar e explorar a inscrição do romance Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, na historiografia literária nacional me deparei com uma série de outros autores que se colocam radicalmente contra propostas humanistas de edificação do humano por meio da literatura, creditando a ela o poder principal de evidenciar e explorar e trabalhar esteticamente pulsões humanas frequentemente violentas no lugar de domar e adestra-las. Do tragediógrafo “menor” Eurípedes, com sua Medeia que ascende aos deuses em vez de servir de lição à plateia, a Sade e seus escritos recuperados após séculos de esquecimento, Bataille e sua grandeza apenas recentemente reconhecida, até toda uma vertente das letras brasileiras que não se ocuparam das preocupações tidas como típicas do intelectual brasileiro, a princípio obrigado a reportar sempre a questões pré-determinadas como as únicas importantes.

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