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Sábado, de Oge Moura. VR Editora.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 31 de jan. de 2024

SÁBADO da premiada escritora e ilustradora norte-americana Oge Mora investe em um dos maiores dilemas da vida infantil e também da vida adulta: as rasuras dos desejos e a inexorável 

f ru s t r a ç ã o.


Ainda que as colagens em tinta acrílica e os recortes de livros antigos assumam uma dimensão de destaque, a narrativa também remexe categorias de temporalidade e também oferta uma imagística dos afetos, inclusive dos negativos.


Diante do sábado que é um dia-dádiva nas vidas de Ava e de sua mãe um outro sábado emerge diante das páginas multicoloridas. A biblioteca fechada, os cabelos arruinados, os ingressos esquecidos, a multidão e o alarido do parque são acontecimentos que arranham sobretudo para a mãe, cicerone do mundo para a filha, a aura do sábado.


É deste turbilhão de furos e arranhões nas pulsões dessa dupla que se forja a radicalidade de uma infância construída em apego e respeito: a filha acolhe o desassossego e raiva da mãe inaugurando uma nova fenda para o sábado.


Ludicidade, motricidade e o apego de mãe e filha em seu lar apontam para uma leitura generosa do microcosmo de pais e cuidadores de crianças, ainda que o caos e a exaustão sejam elementos constitutivos desses momentos fundadores da cosmogonia de mundo das crianças, se insistirmos na alteridade, na escuta e nos dengos haverá sempre um tempo para a confiança e o bem-querer.


 
 
 

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