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Saltburn, de Emerald Fennell. Amazon Prime.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 1 de fev. de 2024




Em uma concentração estilizada de texto literário gótico e um apelo visual que se pretende suspense Saltburn se fragmenta em espirais discursivas e imagéticas que flutuam entre sondagens psíquicas alegóricas e conduções didáticas.


A direção de Emerald Fennell mira em uma espécie de ensaio sociológico com requintes fotográficos e até produz esse produto incrementado de certa ética da era do tik tok: a velocidade, a música, o imediato e sua superfície como resposta à quaisquer imaginações.


Diante da sina do pobre universitário Oliver em Oxford, os indícios, as miragens, os delírios e as intuições da narrativa e da interpretação de alguns atores se convertem em mote para um inventário de sintomas da psicopatia, para a representação de desejos e traumas que ali nascem monolíticos, sem espaços (cênico e filosófico) para elaborações, projeções...


Tudo é da ordem da representação, resta pouco para imaginar em um filme que circula como fábula contemporânea.


Além do tik tok, uma mirada à cultura pornográfica também sobrevém como ente do filme. A noção do fetiche regulando o mundo erótico de Oliver, a fratura e quebra de um sujeito obsedado pelo rito de espetáculo e violência masculinas regem imaginário e subjetividade em um arco dramático frágil, um longo videoclipe ruim.


 
 
 

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