Pagu no metrô, de Adriana Armony. Editora Nós.
- 30 de jan. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 31 de jan. de 2024

Um romance como um torvelinho historiográfico, como um caderno de viagens de uma autora que também é personagem e se coloca em cena no fluxo e refluxo dos passos de Patrícia Galvão entre 1934 e 1935 em Paris. Nada ali soa como reconstituição, até mesmo porque os documentos que materializam parte da história de Pagu foram descobertos na feitura do romance.
Adriana Armony condensa em sua voz narrativa, relatos e trechos de obras de Patrícia Galvão e é desse exercício estilístico aliado às descobertas em um dossiê e arquivos de polícias, de hospitais que o texto ganha uma espessura polifônica e um ânimo libidinal que longe do espectral da nostalgia se propaga pela dicção de aventura e afeto que forjam todo o romance.
A memória de Patrícia Galvão não é reanimada em Pagu no metrô, muito do passado ainda está em conquista pelo ofício da autora que é personagem e também é pesquisadora. Da simultaneidade de tempos convocados pela autora, um jogo fenomenológico se manifesta e se alastra pela aproximação de Armony e Galvão, um reencontro que não é etéreo, nem poroso, é corpóreo, textual e muito bonito.
Comentários