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Outra novelinha russa, de Gonzalo Maier. Editora Dublinense.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 31 de jan. de 2024


Tendo a morte da esposa Pamela e um documentário sobre a queda da União soviética como ponto de ruptura com a ordinária vida de aposentado que levava em Puenta Arenas no sul do Chile, o personagem viúvo, Emanuel Moraga assume o risco e faz da realidade, terreno gasto de sonho, delírio e melancolia.


Entre o registro do dispêndio da velhice em uma equação de matiz dadaísta e romântica temos a aleatoriedade de um documentário como respaldo final para o sonho de lutar contra o comunismo e o desejo de consumar a venda da casa para a materialização de um périplo antigo, jogar xadrez no Boulevard Tverskoy, em Moscou. A linguagem como obstáculo é só mais um dos signos da incomunicabilidade da velhice, de um mundo em voltagens e fonemas distintos que escapam da rígida divisão encampada pela Guerra Fria: a língua espanhola está ali como excesso e como índice do acaso.


Gonzalo Maier elabora a velhice e a radicalidade dessa jornada excêntrica em imagens e acontecimentos absurdistas enredados de sensibilidade e alteridade. Tanto as cenas no hotel quanto as do parque mobilizam os afetos de um Moraga que se dissipa e se reconstrói em um tempo delicado de luto e frenesi. O frenético e a melancolia como apelos dessa noviça outra vida também nos inquieta como leitores e nos lança em uma viagem introspectiva estranha porque alcança a valência de um eu que se transtorna em prol do auge do inconsciente, do nada e do tudo.


 
 
 

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