Os Malaquias, de Andrea Del Fuego. Companhia das Letras.
- 31 de jan. de 2024
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Um romance sobre os rastros de uma família em extravio. Desde as reminiscências de um tempo fraturado pela ruína, pela promessa de uma modernidade utópica persiste na ficção de Andrea del Fuego um movimento ascensional do relembramento como catalisador do trágico. A força agônica desse dispositivo narrativo subsumido pelos arranjos testemunhais em um crescente fantástico acossado pelo topos do desencontro forja uma cartografia sentimental onde solidão e a instituição família aparecem em um eterno apagamento de corporeidade.
A irrupção de pequenos acontecimentos fantásticos, o ethos mineiro ressonado em requintes de imagens se arriscam em uma escalada memorialística à deriva entre a fatalidade da orfandade, o comezinho das paredes descascadas de um interior oscilado no rural que se alastra virando currutela e o inesperado acionado na dinâmica dos corpos, na arquitetura de lares inundados e, sobretudo na linguagem concisa acossada pelas subtramas disparadas em dicção surrealista.
as liberações do outro em Os Malaquias, de Andréa Del Fuego, acontecem sem aquelas tentativas comprometidas da voz narrativa decalcar retidão e seus correlatos teleológicos de ascensão de soluções, tampouco, o exercício de emular a realidade aparece como condição para a emergência de uma espacialidade fortuita, tão concreta quanto fantasmática.
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