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Não aceite caramelos de estranhos, de Andrea Jeftanovic. Editora Mundaréu.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

11 contos, uma unidade inquietante e poética forjada pela infância, pelo trauma, pela pulsão de morte. Um livro que desfaz quaisquer pactos intuídos ante aos narradores, borra os limites entre a moral, a ética e o patológico desorbitando nossa alteridade diante de microcosmos familiares em seus jogos lancinantes de entrega, recusa e rasura ao inconsciente.


Os contos rastreiam nostalgia, luto, terror, devoção, paixão através de um manejo estilístico que expõe os personagens ao agônico e também ao lírico risco dos desejos, ao incessante dos sintomas, dos sofrimentos e da realidade, esse lugar que não se verga ainda que se fragmente pelo delírio, vertigem ou imaginação.


Um livro como anatomia do sujeito em crise, uma sintaxe convulsionada pelos rastros de acontecimentos marcantes que fundam fronteiras escancaradas porém indevassáveis. À beira de uma estrutura polifônica e da tragicidade de enredo (bêbe afogado, demência, mortes prematuras, ditadura, pedofilia, crianças desaparecidas, assassinato, adultério, amor), Não aceite caramelos de estranhos, de Andrea Jeftanovic se ergue em perigo, em uma linguagem implacável, obcecada com os rumos da fragilidade e da perversão do humano.


(Aqui, foram vários os estágios da leitura: repulsa, transtorno, espanto, curiosidade, releeitura, adesão, sublinhamentos, pesquisa, encantamento, urgência. Quero escrever ainda sobre esse trem impactante que foi essa leitura 🖤)


 
 
 

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