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Memórias de uma moça bem comportada, de Simone de Beauvoir. Editora Nova Fronteira.

  • 31 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

quem me conhece de eras passadas deve se lembrar do meu hoje cringe blog Brochuras de uma menina nada comportada. Aquele domínio abrigava meus poemas e micro contos, capas de discos que eu ouvia, garimpos de curtas metragens e fotografias de pessoas aleatórias, excêntricas e fofurettes. Uma curadoria de uma jovem que mirava no gótico e se via cada vez mais próxima de um real incessante: miscelânea de vida adulta, literatura, moda, filosofia, trabalho. O blog foi pras cucuias mas minha história com a Simone de Beauvoir, não.


Relendo agora, em outra edição que não a de capa rosa-encardido-bebê, retomo o efeito briluz da linguagem da mulher que me fez entender a corporeidade política daquilo que nos entregam como um fóssil inquebrantável, a ontologia de ser mulher.


O Memórias de uma moça bem comportada antes reverberava no meu microcosmo como uma presença de narrativa quase fotográfica seja de um imaginário de uma sociedade patriarcal ou da educação como força, não alegórica, orgânica, de implodir violências e rearranjar destinos. Abro um mini parêntese aqui para pensar como a ficção de Elena Ferrante e de Annie Ernaux também reputam à educação esse poder de transvalorar mundos.


Hoje o Memórias ressoa em um corpo feminino de mãe de duas meninas. eitcha. Chega, claro, em sua espessura de obra ficcional, confessional, sociológica que comporta as diferentes recepções de mais de meio século e não se reduz, nem se apequena, foi lançado em 1958, para, de novo, materializar o apelo pela linguagem, pelo reconhecimento e, não sublimação, mas enfrentamento da performance de feminilidade e da violência a que nós m u l h e r e s somos acossadas cotidianamente.


Bolsonarismo, pandemia, dois puerpérios, amamentação em livre demanda, desemprego me lançaram em um abismo torto de perspectivas que cada vez mais diluído, ufa, abre buraquinhos à urgência da vida. e, esse insta aqui se tivesse um título bem que poderia sim ser um revival transluciferado do blogspot: brochuras de uma mulher nada comportada. Rsrs


Beijobeijobeijo.


 
 
 

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