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Mal-entendido em Moscou, de Simone de Beauvoir. Editora Record.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 31 de jan. de 2024

Mal-entendido em Moscou (escrito entre 1966 e 1967, publicada somente em 1992) assim como As inseparáveis é uma novela que explora o delicado elo entre material autobiográfico e o ofício de decantação assumido pela linguagem ficcional de matiz filosófica de Simone de Beauvoir.


Um mapa singular e comovente da trajetória de um casal de professores aposentados, Nicole e André, em viagem à antiga União soviética aonde ficarão de férias com Macha, filha do primeiro casamento de André.


A velhice é o estado incontornável em torno da qual gravitam as memórias que se entrelaçam uma constelação de afetos negativos como a mágoa, o ressentimento e os ciúmes. Dessa anatomia de um casamento entre intelectuais na velhice emergem, em uma progressão vertiginosa, reflexões sobre o amor, o corpo, o espanto de serem outros diante de si mesmos, assim, o périplo a Moscou se condensa em uma jornada exaustiva de desrecalcamentos e solidão, sobretudo para Nicole.


Nesse retrato de férias que é também um inventário pulsante sobre a feminilidade e sua performance diuturna, a voz narrativa que percorre as subjetividades de Nicole e André se vale de sua corporeidade existencialista para alçar a linguagem a ente violador dos silêncios.


Ao refletir sobre o envelhecimento sobretudo quando se coloca em perspectiva a juventude (suas pulsões e economia de olhares, desejo), Beauvoir nos coloca em presença intima e inegociável com o outro e seus dilemas, que se tivermos sorte também podem, no futuro, ser os nossos.


 
 
 

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