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Humanos exemplares, de Juliana Leite. Companhia das Letras.

  • 31 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Tanto em Entre as Mãos quanto em Humanos exemplares dilemas metafísicos se decantam em uma economia libidinal às voltas com a suspensão do tempo, do corpo e o elo inquebrantável com o outro, seja esse: tias, amigos, filha, um país ou um si inscrito em um fóssil frequentemente escarafunchado com aqueles pincéis delicados dos paleontólogos que em Humanos exemplares são vozes que se intercalam sem espaço para anunciacões expressivas; narrador que tenta escalonar presente e passado em uma operação de resgate que excede alusões, mistério e doçura; da professora de redação que também é a voz da velha, da viúva, da mãe, da filha que mora no oceano superior.

A delicadeza da estrutura narrativa que críptica e polifônica sedimenta, revolve e espana acontecimentos e vestígios orgânicos e minerais (porque acumulam porta retratos, porôes, reminiscências e dores de vidas inteiras) procura em uma voltagem eletrizada e fantasmática conduções que transformem noções nada vagas de um Brasil que atravessou uma ditadura em um espécie de mosaico histórico e de alteridades que dão conta de uma memorabilia familiar e da arqueologia de um pranto não chorado pela desmemória que aqui é desvelada por um pacto entre narradores e nós, espiões dedicados.


 
 
 

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