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Falas curtas, de Anne Carson. Relicário Edições.

  • 31 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

ainda que você chegue ao Falas curtas sem os músculos e nervos arrebitados pela leitura do lírico-documental, a transluciferação menos esfíngica e, ainda sim, perigosa, Autobiografia do vermelho, a experiência é também uma temporada espásmica em poemas que restam como vestígios mnemônicos, astrolábios enguiçados ou fotogramas de um futuro imaginado. aqui, a corporificação da voz cicerone é de outra espécime, se persegue o rastro do microcosmo: a escuta dos sapatos das irmãs Brontë, o divórcio da irmã de Kafka, o cálculo lírico sobre as formas e impacto da chuva. mesmo diante do alerta da Introdução de que é pelos flagrantes e pela falta que se perfaz uma cosmogonia do que quer que seja, ao longo do périplo desencarnado de heróis de Falas curtas habita um outro obcecado em entabular cada um dos personagens, cada naco de temporalidade desorbitada em filiações, parentescos de qualquer tipo. essa voz que relata, dilata e escreve o tempo sabe da presença nada espectral do leitor, ali o tempo todo.


 
 
 

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