Esboço, da Rachel Cusk. Editora Todavia.
- 31 de jan. de 2024
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trecho de Esboço, da Rachel Cusk. para além do artificialismo estilístico que decalca uma estranha leveza ao material ficcional em suas mais distintas matizes (narradora escritora às voltas com uma turma de escrita criativa e com os assombros de uma vida em suspensão ainda que pela revelação da escuta incessante dos outros; amigos, amigos dos amigos, estranhos aleatórios do vôo em peregrinações narrativas que vão ganhando tração de protagonistas às vezes até invisibilizando a presença cicerone da condutora) o romance de Cusk investe em um constante transtornar daquilo entendido como metaficção (presente também em the argonauts da Maggie Nelson e em I love Dick, da Chris Kraus) e, no espectro retornante [fantasma?] do aforismo barthesiano da morte do autor inaugura uma modalidade de ressurreição muito mais enérgica que a do avatar do lázaro bíblico pq não tem mote redencional, nem parábola de transcendência, é um exercício estético e existencial da literatura como linguagem do si em avaria com o mundo, ou do mundo em avaria com si mesmo. nesse desconcerto de vozes o efeito de unidade pelo mal-estar é surpreendente e muito bonito.
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