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E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas, de Emicida com ilustrações de Aldo Fabrini. Companhia das Letrinhas.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 31 de jan. de 2024




Na minha longuíssima infância no interior mineiro o medo não era esse senhor conselheiro com semblante de nosferatu e pele rosada de "E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas". parecia mais um coelho felpudo ensimesmado no meu colo e que não arredava as patas para nada. lembro que eu deveria ter uns 5 anos quando meus primos do norte do estado, de Janaúba, vieram para Patos de Minas em um feriado católico e minhas tias interditaram nosso passeio de bicicleta alegando que o capeta estava passeando pela cidade com a desgraça e que essa sexta deveria ser guardada. mas como envelopar, selar e guardar uma sexta? tive medo por um tempo da desgraça que eu imaginava um mix radiativo de barata gigantesca com os ogros do desenhos dos ursinhos gummi e asas gliterizadas de carnaval. No escuro ela brilhava ainda mais. o medo também.


No livro de Emicida com ilustrações de Aldo Fabrini duas meninas hesitam diante do escuro da madrugada e da claridade do dia. O medo habita o corpo e contagia a imaginação com obstáculos olímpicos que se personificam em monstros e bandidos. Em um ritmo que escapa das parábolas o Medo é visto sob uma perspectiva delicada e poética: Ele não é mau. É só um cara preocupado: Que vem nos lembrar/ É importante ter cuidado/ Só vira um problema se ao contrário de um poema/Em vez de nos fazer voar/Nos prende com algemas.


É com a chegada da Coragem que o Medo se tranquiliza, contente, e abre espaço para que as duas meninas reconheçam o diferente e o fora como, também, domínios de si.


 
 
 

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