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Documentário Fire of love

  • 31 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

não tenho registro audiovisual dos meus dois partos naturais que são os acontecimentos mais próximos de uma erupção vulcânica em que estive mas esse documentário da Sara Dosa de 2022 sobre o casal de vulcanólogos katia Kraft e Maurice Kraft me levou para um canto da experiência estética e emocional que ainda não tinha palmilhado. a voz sombria da Miranda July anunciando a morte do casal ainda nos primeiros minutos do filme para que a narrativa não assuma uma espécie de trabalho de preparo ao luto é um lance para que sigamos como herdeiros em pranto, luto ou melancolia mas ainda sim herdeiros das capturas das temperaturas, dos gases do interior da terra, do incandescente e hipnótico material magmático. vulcanólogos, artistas e cineastas.

quase tive um treco entre o êxtase e o impacto vendo a cena dos dois dançando à beira do vulcão. um tremor diante do fluxo cinzento, caudaloso e cataclístico que os engoliu no monte unzen, no japão. para além do elemento romântico que estrutura o filme e o documentário: a obsessão e o fascínio pelo catalogar e inventariar dos mundos vulcânicos há de realçar a performance quase freelancer do casal já que o dinheiro para as expedições vinha da escrita e venda dos livros e filmes.

essa herança das fotografias e filmes sobre o planeta terra e seus vulcões figura e ressoa como um dos presentes mais bonitos já deixados para a humanidade.

obrigada @sumaya_fagury pela indicação 


 
 
 

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