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Crimes do futuro, de David Cronemberg, 2022.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 31 de jan. de 2024


Cronemberg em mais uma de suas liturgias da perdição humana se concentra no erótico como chave de contraste para apresentar a sociedade de um pós antropoceno erigido desde a devastação climática e marcada pela mutação de orgãos em uma parcela da população como síntese de um imaginário apocalíptico. Mas a noção de tempo segue dialética e o erótico incide como ente catalisador de sensibilidades ante uma evolução humana acossada pelo sintético e pela perda expressiva de sensibilidade.


A cena de uma criança que come um cesto de lixo de plástico sendo asfixiada pela mãe indicia o ânimo ora combativo de personagens transtornados com o novo mundo distópico ora de grupos magnetizados pelo apelo a um culto a deglutição de plástico e as cirurgias que possibilitariam essa nova fisiologia cyborg. Entre os sintonizados a essa nova era afeita aos resíduos industriais como alimento e futuro da raça humana e coletivo de insurgentes estão os artistas em um limbo.


A body art e as cirurgias que escancaram vísceras e orgãos mutantes colocam Saul Tensen e Caprice como mobilizadores de afetos libidinais de um público que enxerga nesse teatro tecno-barroco uma espécie de portal mobilizador de pulsões e para esse mundo árido e sintético esse teatro de mutações figura como único rastilho de esperança para o mundo de sensibilidades.


 
 
 

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