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Cometerra, de Dolores Reyes. Editora Moinhos.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Miscelânea de bruxaria, torneios de videogames, crimes e adolescentes orfãos e cheios de afeto em busca de um tempo perdido.


Uma criança que tem clarões de vidência após comer terra. Um dom como alteridade máxima em uma jornada de escancarar sequestros, feminicídios. uma cidade, alguns vilarejos, terrenos baldios, galpões que fazem emergir uma geografia latino-americana acossada pela desigualdade social.


Cometerra é o nome da criança que nomeia a saga com semblante de terror mas com dicção lírica que também é sobre a orfandade, adolescência e a busca de um nome.


Como se fosse um híbrido narrativo guiado pela vidência como cicerone da trama, o romance mescla não só a dicção lírica com o suspense dando também um espaço significativo aos sonhos como constitutivos do real, a espessura surrealista e fantástica aumentando o grau polifônico de Cometerra.


Uma coleção de adivinhações e visões que a partir da solidão, do abandono dos irmãos Cometerra e Walter se disseminam na narrativa como forças dialéticas. Nesse romance não é o sobrenatural em sua instância onisciente que rege a temporalidade, por mais que indicie passado e futuro, tampouco é o conjunto de desgraças, vinga ali, pulsões de esperança que habitam os corpos dos irmãos e de Miséria, ávidos por outras paisagens e experiências de mundo.


 
 
 

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