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Com armas sonolentas, de Carola Saavedra.

  • 31 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Um romance que se constrói em uma espécie de coação psíquica ao passado desconhecido. Como ir ao passado encriptado senão pela voltagem incalculável do inconsciente que subverte temporalidade e corpos desejantes?


Um romance de formação com biomas e línguas que excedem o realismo e inculcam uma urgência de liberdade para a alteridade de Anna, atriz de origem pobre, que vê em um casamento circunstancial com um cineasta alemão um portal mágico de travessia e distinção; de Maike, adolescente alemã em crise existencial, hipnotizada pela língua e pelo Brasil, e de uma personagem chamada de avó que encarna e representa em sua subjetividade acossada por uma herança de dores, a figura da empregada doméstica escravizada sem espaço de futuro e de combate.


O conceito de família também é posto em tensão para abrigar os efeitos dilacerantes do patriarcado e seus pressupostos alienantes de pacificação. Desamparo, exílio e uma ligação de matiz mítica e rastro metafísico, em um périplo de 3 personagens mulheres, sujeitos cindidos às voltas com uma melancólica utopia senão de unidade existencial, de restauro para continuar suas buscas, suas fugas, suas linguagens para os reveses da maternidade, do classismo, do luto e do amor.


 
 
 

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