Close, de Lukas Dhont. Mubi.
- 30 de jan. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 1 de fev. de 2024
Close, dirigido por Lukas Dhont, surge no rastilho e tradição dos filmes dos irmãos Dardenne de extrair ética, luz e enquadramento em prol de um realismo de alta voltagem sociológica e psicológica.
Acontece que Close não hesita nessa sintaxe de empenho moral dos Dardenne e constrói uma imagística da amizade de Remi e Léo, adolescentes de 13 anos, senão com vistas à parábola ao mundo de floresta, campo, flores, mar, neve, escola decantado de intimidade.
O mundo doméstico desorbita e a fratura e partilha dos sentidos parecem poder se abrigar apenas nos rostos. Belo mas não alcança o rastro da comoção que a amizade prometia. Um luto moralizador para dois corpos eletrizados de amor, medo e energia.
Contradança de Roger Mello. Companhia das Letrinhas.
Contradança aposta em uma prosa mágica e profunda entre um macaco prego e uma menina bailarina, filha de um comerciante vidraceiro, sobre os reflexos e movimentos dela e do animal. Nessa conversa interespécies, quase infinita e poética, vinga um desejo desses seres promoverem uma incursão delicada e amorosa a si e ao outro.
Pelo traço simbolista dos desenhos e das fotomontagens de Roger Mello os dois interlocutores procuram pelos olhares e gestos: pistas, dicas e até colo para questões abissais como a morte e a solidão. O tempo e sua imprevisibilidade também espreita a recém construída amizade.
O tempo e a queda. É pelo fluxo dos caquinhos lançados ao chão que a dança se converte em uma pulsão corpórea ainda mais vertiginosa de outridade. Os olhares conduzem, geram atrito e aderência aos mundos que se refletem mais pelos pensamentos líricos e melancólicos do que pelas fisionomias movidas pela luz e sombra.
Para as crianças e para cada um de nós. 💚💚💚
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