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As primas, de Aurora Venturini traduzido por Mariana Sanchez. Editora Fósforo.

  • 30 de jan. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 1 de fev. de 2024


No rastilho dos microcosmos domésticos excêntricos inventariados e fustigados por Silvina Ocampo, Aurora Venturini em seu As primas, traduzido por Mariana Sanchez, presentifica em sua dicção tragicômica, o íntimo mundo tensionado de uma família de mulheres com deficiências físicas e transtornos mentais.


Da sintaxe de intimidades, da infantilização estilizada das Tias e primas, dos lutos que se avolumam, o universo vertiginoso da família ganha voz e imagens pelo projeto estético e pelo fluxo de consciência de Yuna, uma narradora que se vê em pertencimento anímico e cognitivo ao espectro de deficiências da tia Nenê, da irmã Betina, das primas Carina e Petra. É desde esse legado de parentesco e de afetos negativos que a voz narrativa como esteta inexorável se lança em uma obsessão: a decantação de quaisquer traços que a estigmatize seja pela fala ou pela escrita.


O reconhecimento da prodígia Yuna Riglos como artista visual ainda criança pelo professor de pintura José Camaleón e depois chancelada por instituições e críticos irrompe novas negociações de alteridade para a família e nessa nova economia de afetos e de capital, outras éticas indiciarão os rumos de cada uma das mulheres remanescentes dessa cartografia acossada pelo medo, pelo preconceito e pela urgência de fuga de um destino de apagamento, de morte.


 
 
 

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