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As aventuras, de China Iron de Gabriela Cabezón Cámara. Editora Moinhos.

  • 30 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 1 de fev. de 2024




As aventuras de China Iron da argentina Gabriela Cabezón Cámara é um romance de mil fôlegos que se expande em uma voltagem de reescritura de Martín Fierro, poema de 1872, de José Hernández e nesse fluxo de reconquistas, de rasuras e de anacronismos se forja uma linguagem barroca que ao distorcer o passado indicia outros ritos e cosmogonias para o povo argentino.


A carnadura da língua indígena, inglesa e espanhola se adensam em um idioma outro como tradução desses enfretamentos ou incorporações. O mote histórico e o empenho regionalista se veem às voltas com um périplo de matiz insólita: a presença da China que se torna China Josefina Iron em um arco narrativo envergado por fugas, transvalorações identitárias e epifanias contra-nacionalistas.


É depois da captura de Fierro (a performance de paródia do romance é incessante) para se alistar como soldado no fortim de Hernández, avatar bufão do progresso (e do capachismo ao imperialismo inglês), que se abre uma espécie de portal catalisador e reelaborador dos traumas e violências constitutivos da nação argentina.


É pela fuga de China com seu cachorro Estreya, a aliança homerótica com a inglesa Liz e o encontro afetivologístico com o gaúcho Rosário que o tempo se radicaliza, a sexualidade e o especismo se caotizam em prol de uma nova comunidade, uma refazenda indígena ainda sob o espectro agônico do genocídio mas que se refaz em fuga poética, pela viagem em bando camuflado e ainda briluz, pelo fluxo mítico do rio Paraná.



** Mil vivas e mil obrigadas ao trabalho de transluciferação da tradutora Silvia Massimini Felix que fez da jornada dos signos condensados de tantas línguas e subjetividades também uma experiência radical de linguagem e de sentidos.


 
 
 

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