A ilha de Arturo: memórias de um garoto (1957) de Elsa Morante, Editora Carambaia (2019).
- 31 de jan. de 2024
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A ilha de Arturo: memórias de um garoto (1957) de Elsa Morante, romance publicado aqui no Brasil pela Editora Carambaia (2019) constrói um universo intrincado de fabulações e testemunhos onde leis e desejos operam uma irrupção de tormentos e perjúrios na vida de Arturo, um garoto orfão de mãe, em uma espécie de vigília existencial às vésperas da segunda guerra mundial
no início da leitura a narrativa assume uma plasticidade de bildungsroman, um périplo com indícios de romance histórico e entre o caudaloso dos acontecimentos, dos deslocamentos vaporosos do pai de Arturo: a relevância da imaginação como ente agônico entre a realidade e os traços do passado rescaldados, fantasiados, entrevistos.
o que do convite feito pela Ferrante se faz reconhecer como herança em Morante? uma espécie de paleontologia febril ainda que minuciosa, caudalosa como disse, na genealogia de cada dilema, de cada personagem. Arturo é um arco narrativo espiralado de espasmos, traumas, pulsão pela linguagem.
um romance que arca com os dispositivos da sexualidade ao deslindar o abjeto da misoginia e a fatura desse universo ficcional é um mundo semi-conhecido pelas imagens trazidas da Nápoles, da Ischia de Ferrante e que se reverbera em uma aproximação magnética à multidão de sentimentos ao relevo escarafunchado de cada detalhe, de cada personagem ausente e espelhado em trapos, barcos, pernas e assobios.
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