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A filha única, de Guadalupe Nettel. Editora Todavia.

  • 31 de jan. de 2024
  • 2 min de leitura

A maternidade em uma mirada multidimensional. O determinismo biológico e seu enunciado molecular de maternidade compulsória, (ainda que inconsciente e pré discursivo) é tensionado ao grau máximo em corpos de personagens mulheres que põe em cena um romance de lastro existencialista e feminista.


Uma mudança geográfica e de desejos demarcam o retorno das amigas Alina e Laura ao México. Laura que assume a voz narrativa protagonista e uma espécie de controle da entropia discursiva ao apresentar e elaborar as angústias e problematizar destinos essencialistas à si, às mulheres tem sua volta ao México para terminar a escrita da tese catalisada pelo ruptura com o namorado que desejava um filho. Já no México Laura se depara com o comunicado da amiga que ela e o marido Aurelio farão tratamento para que consiga engravidar.


Ainda que se espere uma cisão na amizade dado o ânimo child free inicial da personagem Laura, as partilhas das amigas aumentam e ganham camadas densas de alteridade. A cruzada de Alina para engravidar é acompanhada de batalhas, inicialmente simbólicas, por Laura que às voltas da escrita da tese se vê acossada por barulhos de brigas do vizinho de 8 anos e sua mãe Dóris.


Diante do terror de um anúncio que o feto não desenvolvera parte significativa do cérebro: uma peregrinação à especialistas e um consenso equivocado de que a criança morreria ao nascer. Como se a comunidade de afetos agônicos crescesse em disseminação, Laura como estrangeira adentra o apartamento de Doris e do filho e experimenta uma proximidade da dor e da solidão do que é uma maternagem solo. Inês nasce, Laura permite que pombas imundas façam um ninho em sua varanda, Alina encontra Marlene, uma babá excêntrica, e a linguagem de registros de uma gravidez captada em dicção de suspense cede espaço para confrontos, luto e amores incalculáveis.


 
 
 

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